Amigos do Cineclube Sala Escura!  Em parceria com o X Araribóia Cine, realizaremos nossa primeira sessão em Niterói após dois anos longe!  Será a primeira de uma série de sessões no teatro do Diretório Central dos Estudantes, que alternará filmes latinos e brasileiros.

Nessa sessão inaugural, exibiremos Mr. Niterói – A Lírica Bereta.  O filme acompanha a trajetória de uma das figuras mais atuantes no underground brasileiro da última década: o Niteroiense Gustavo ‘Black Alien’. Dirigido por Ton Gadioli, o filme narra a história do cantor desde o início dos anos 90, quando seu então parceiro, Speed Freaks, o intimou a fazer rap.

Após o filme, teremos a presença do próprio Black Alien e do diretor Ton Gadioli para um debate.
Quinta feira, dia 24 de novembro, às 18:30, no teatro do Diretório Central dos Estudantes da UFF – Av. Visconde do Rio Branco, 625 – Niterói.  Para mais informações, acesse o site oficial do Araribóia.

Quinta-feira, dia 3 de novembro de 2011, às 18:30, na Cinemateca do MAM - As Três Coroas do Marinheiro, de Raúl Ruiz

O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina realiza uma homenagem ao cineasta chileno
Raúl Ruiz, falecido em agosto de 2011.

AS TRÊS COROAS DO MARINHEIRO
(Les trois couronnes du matelot)
França, 1983
Direção e Argumento: Raúl Ruiz
Roteiro: Emilio Del Solar, François Ede, Raúl Ruiz
Fotografia: Sacha Vierny
Som: Jean-Claude Brisson
Música: Jorge Arriagada
Montagem: Valeria Sarmiento, Jacqueline Simoni-Adamus
Elenco: Jean-Bernard Guillard, Philippe Deplanche, Nadège Clair, Lisa Lyon, Jean Badin
117min, Cor/P&B, exibição em DVD, legendas em Castelhano

Em Varsóvia, na enevoada noite de 25 de julho de 1958, um estudante de teologia mata o seu mentor e protetor, um antiquário, versado em polimento de diamantes e dono de uma coleção de moedas antigas sem valor. Precisando fugir, o estudante conhece no meio da rua um marinheiro embriagado que afirma poder lhe ajudar em troca de três moedas antigas: três coroas dinamarquesas. O marinheiro, então, começa a narrar a sua estranha e extraordinária história, que se inicia em Valparaíso.

Reunindo várias referências e citações, do quadrinista estadunidense Milton Caniff ao poeta grego Homero, passando por Cervantes, Coleridge, Stevenson, Melville e Conrad, a base dessa história fantástica é a lenda chilota do Caleuche, o navio fantasma. O Arquipélago de Chiloé, no sul do Chile, possui uma rica mitologia, formada por histórias incríveis e povoada por seres fabulosos, marítimos e terrestres. O longa realizado por Ruiz é uma produção para a televisão francesa e adquiriu fama e sucesso. Filmado em Lisboa e na Ilha da Madeira, foi a primeira parceria entre Ruiz e o produtor português Paulo Branco, com quem fez vários outros trabalhos, inclusive a última produção, até agora finalizada, do artista chileno, o longa-metragem vencedor do Prêmio Louis Delluc de 2010, “Mistérios de Lisboa”, adaptação do romance homônimo de Camilo Castelo Branco.

Raúl Ruiz é um dos mais célebres e prolíficos cineastas chilenos, pertencente à geração do “Nuevo Cine Chileno”, surgido na virada dos anos 1960/70. É considerado, por alguns estudiosos, o cineasta chileno mais importante de todos os tempos, tendo realizado mais de 120 obras nos mais diversos formatos técnicos. Nascido em Puerto Montt, Região dos Lagos, em 25 de julho de 1941, muda-se ainda adolescente para Santiago, onde participa de grupos de teatro experimental, entre 1956 e 1962. Desde jovem, escreve vários contos, poemas, roteiros e peças de teatro e realiza estudos incompletos de Direito e Teologia. Chega a estudar cinema na célebre Escola de Santa Fé, fundada por Fernando Birri, na Argentina, mas desgostoso pelo forte viés voltado ao documentário, abandona o curso, regressando ao seu país natal. Começa a trabalhar na televisão, por volta de 1963, dirigindo o seu primeiro longa-metragem completo em 1968, intitulado Tres tristes tigres, considerado um dos principais filmes do “Nuevo Cine Chileno”. A partir de 1969, realiza filmes de forte tom político, como Militarismo y tortura, La colonia penal, El realismo socialista, La expropiación, Nadie dijo nada (atualmente considerado um dos mais importantes filmes da sua fase chilena, ao lado de Tres tristes tigres) e Palomita blanca (comercialmente lançado apenas em 1992). Nesse período, é professor de cinema na
Universidade Católica de Valparaíso. Devido ao Golpe de 1973, foge para a Argentina e de lá, para a França, país onde se fixa, se naturalizando, posteriormente. Nos anos 1980, conhece notoriedade internacional, ao ganhar vários prêmios e recebe, em 1983, uma edição especial dos Cahiers du Cinéma dedicada à sua obra. Em 1997, o governo chileno lhe outorga o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais, no mesmo ano em que o Festival de Berlim lhe oferece o Urso de Prata por Extraordinária Contribuição Artística. Em março de 2011, a Universidade de Valparaíso lhe concede o título de Doutor
Honoris Causa. Por essa ocasião, se encontra em plena luta contra a doença, uma vez que, em 2009, lhe é diagnosticado um câncer hepático. Chega a receber um transplante de fígado no ano seguinte, mas falece de infecção pulmonar em 19 de agosto de 2011, em Paris, na França. Seu corpo é trasladado ao Chile, onde é sepultado em Santiago, no dia 26 de agosto, após uma missa de corpo presente acompanhada de mais de quinhentas pessoas, entre amigos, autoridades e importantes nomes da cultura chilena. Na ocasião, foi anunciada a criação da Fundação Raúl Ruiz, que zelará pela memória e divulgação de sua vasta e variada obra artística, formada por filmes, vídeos, roteiros, peças de teatro, poemas, textos teóricos e colóquios, atualmente sob a guarda de sua viúva, a cineasta e montadora Valeria Sarmiento.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fabián Núñez

Filipeta virtual da sessão de outubro de 2011 do Cineclube Sala Escura: El Mago, com Cantinflas

Sessão gratuita do filme El Mago na Cinemateca do MAM, seguido de Tragos y Sonidos. Quinta feira 27 de outubro às 18:30

EL MAGO
México, 1948
Direção: Miguel M. Delgado
Argumento: Alex Joffé, Jean Lévitte
Roteiro: Jaime Salvador, Miguel M. Delgado
Fotografia: Raúl Martínez Solares
Som: James L. Fields
Montagem: Jorge Bustos
Elenco: Cantinflas, Leonora Amar, José Baviera, Miguel Manzano, Alejandro Cobo
97min, P&B, exibição em DVD, Legendas em Português.

Em um distante país do Oriente, o rei, em seu leito de morte, incumbe aos seus ministros buscarem o príncipe herdeiro que, por segurança, cresceu na América sem saber a sua origem. Esse príncipe vive no México, onde atua como vidente, mas, por razões pessoais, deve se afastar de seu trabalho. Porém, antes, contrata um dublê para substituí-lo, que, por sua vez, paga a Cantinflas para tomar o seu lugar por um tempo. No entanto, o que Cantinflas não conseguiria prever são os apuros em que vai se meter ao se fazer passar pelo príncipe do Oriente, uma vez que muitos e poderosos inimigos tentarão sequestrar e matar o herdeiro ao trono.

Nesse longa, o mestre Cantinflas divide a tela com a brasileira Leonora Amar, cuja única atuação em nosso país, ao lado de Anselmo Duarte, é no longa policial Veneno (1952), produção da Vera Cruz e sob a direção de Gianni Pons e de Afonso Schmidt. No entanto, o nome de Leonora Amar era mais conhecido no México, onde começara sua carreira artística como cantora, após ter tido sucesso nas rádios cariocas. Em 1948, após ter protagonizado o longa Desquite, alcança o estrelato, por intermédio do produtor e diretor Raúl de Anda, com Bajo el cielo de Sonora. Nessa ocasião, conhece Miguel Alemán, Presidente do México, com quem teria mantido um célebre relacionamento. Foi uma das mulheres mais ricas do México, chegando a se fixar, posteriormente, em Los Angeles (EUA), onde produziu filmes, tendo atuado em um deles, Captain Scarllet (1953).

Cantinflas chega às telas do cinema mexicano em 1936 no longa-metragem No te engañes corazón, dirigido por Miguel Contreras Torres, depois de um curta, “Cantinflas” Boxeador, dirigido por Fernando A. Rivero, nesse mesmo ano. Sua marca registrada era a maneira absolutamente desregrada ao falar que, aliada ao seu gestual característico, ao seu bigodinho ralo e falho e ao seu figurino – calças caídas amarradas por uma corda na cintura e um trapo nos ombros – fazia um enorme sucesso junto a um determinado público.  Mario Moreno criou esse personagem para o teatro de variedades e para espetáculos circenses.  Seu público era o da periferia da Cidade do México. Esses espetáculos, conhecidos como “teatro de carpa”, foram muito populares nas primeiras décadas do século XX, nos arrabaldes da cidade, e apresentavam uma encenação com base na improvisação e no contato direto com o público que, muitas vezes, ao desaprovar determinado número, atirava objetos nos artistas. Essa foi a escola de Cantinflas durante muitos anos, onde ele aprendeu a se comunicar com a plateia, de forma direta e imediata. Cantinflas é um personagem burlesco e irreverente que, através de um falar grosseiro e popularesco, dribla, com malícia e engenhosidade, as adversidades de um cotidiano difícil na periferia de uma grande cidade latino-americana. Ele é, seguramente, um produto do cinema falado. Seu maior recurso se concentra numa verborragia frenética baseada num jogo de palavras que roçam o nonsense.  A “cantinflada”, termo que define esse palavrório acelerado do personagem, constitui-se num fenômeno frequente nos filmes de Cantinflas. Aquilo que, numa primeira mirada, mostra-se sem sentido e vazio, pode conter um significado bastante contundente se analisado a partir das condições em que essa fala foi elaborada. É importante pensarmos que Cantinflas criou sua verborragia numa época em que discursos demagógicos travestiam os espetáculos populares, tentando dar conta da ressignificação de um novo projeto de identidade nacional no México. Nesse contexto de oratória desenfreada, onde políticos e intelectuais promoviam um debate sem fim, o texto aparentemente desconexo de Cantinflas denunciava o vazio dos discursos oficiais. A resposta cantinflesca representava a fala daqueles que não se sentiam, de fato, inseridos naquele contexto de nação. A “cantinflada” açoitava a linguagem culta, trazendo a público um falar das ruas maculado de incertezas gramaticais. Cantinflas ia do nada pra lugar nenhum, rindo de si mesmo, confundindo seu interlocutor num jogo nauseante de palavras que percorriam tresloucadas um labirinto de oralidade. Essa foi sua marca em mais de cinquenta filmes durante quase meio século de permanência nas telas de cinema. Cantinflas conquistou não só o México mas toda a América Latina e chegou ao cinema dos Estados Unidos em 1956 no filme A volta ao mundo em 80 dias, dirigido por Michael Anderson, Kevin McClory e Sidney Smith.  Porém, seu público era, definitivamente, o latino-americano, que reconhecia nessa espécie de malandro mexicano as marcas do subdesenvolvimento, da transgressão bem-humorada e dos rituais de sobrevivência necessários para driblar as dificuldades do dia a dia numa grande cidade deste subcontinente. Mario Moreno, o intérprete de Cantinflas, completaria 100 anos em 2011. Essa é uma grande oportunidade para revermos seus filmes e relembrarmos Cantinflas como um grande personagem da comédia cinematográfica latino-americana.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre
o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação
Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Maurício de Bragança
Fabián Núñez

Após a sessão o especial Tragos y Sonidos!!!

Próxima sessão: Dia 03 de Novembro

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0100075/

7 anos do Cineclube Sala Escura. Após a sessão haverá o lançamento do livro 21 Años de Cine Latinoamericano en Nueva York, de Pedro Zurita, e um especial Tragos Y Sonidos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0977645/

O Cineclube Sala Escura e o Laboratório de Investigação Audiovisual

apresentam:

A Viúva Alegre
(The Merry Widow, de Ernst Lubitsch, EUA, 1934, P&B, 99 min, cópia legendada e em 35mm)

viuva alegre

Depois do ácido “A Bela da Tarde”, de Luis Buñuel, exibido no mês passado, o Cineclube Sala Escura optou por algo mais light. A escolha foi “A Viúva Alegre” (The Merry Widow, EUA, 1934), do alemão Ernst Lubitsch.
Há muito o que se falar dos filmes desse cineasta nascido em Berlim e emigrado para a América em 1922. Tanto é que suas obras são conhecidas por possuírem algo especial, o chamado “Toque Lubitsch”.
Do que se trata esse “toque”, afinal? Estamos falando de um humor sutil, de um cinismo elegante capaz de driblar o Código Hays, conjunto de normas impostas em Hollywood até o início da década de 1960 para preservar “a moral e os bons costumes”. Lubitsch era mestre em criar diálogos maliciosos e situações dúbias; seu trabalho é milimetricamente preciso.
E a lista de fãs célebres de Ernst vai além do cineasta francês. Entre seus admiradores estão John Ford, Alfred Hitchcock, Orson Welles, Charles Chaplin, Frank Capra, William Wyler, Greta Garbo, Jean Renoir e – o também perfeccionista – Billy Wilder.
Todo o charme de Lubitsch pode ser visto em “A Viúva Alegre”, adaptação da famosa opereta de Franz Leahr. Pela segunda vez sob o comando do alemão, Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald brilham ao estrelar a saga do mulherengo Danillo, que deve conquistar a ricaça Sonia a fim de salvar a economia de seu minúsculo país.
Contemplado com o Oscar de Melhor Direção de Arte, “A Viúva Alegre” foi responsável por estabelecer um novo padrão de qualidade para os musicais hollywoodianos.

Então, favor não perder!

“A Viúva Alegre” (The Merry Widow), de Ernst Lubitsch.
País: EUA
Ano: 1934
P&B, 99 min, cópia legendada e em 35mm.
Com Maurice Chevalier, Jeanette MacDonald e Edward Horton.

Quando: 25 de setembro, sexta-feira, às 21h.

Onde: Cine Arte UFF – Rua Miguel de Frias, nº9, Icaraí – (21) 2629-5030

Entrada franca!

salaescura_setembro09_mam_a4Nesta quinta-feira (10), o Cineclube Sala Escura realizará uma sessão especial na Cinemateca do MAM-RJ.
Às 17h, será exibido o longa “El Romance del Aniceto y la Francisca” (1967), considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes do cineasta argentino Leonardo Favio.
Trata-se de uma história simples: Aniceto, dono de um galo de rinha vencedor, conhece a humilde Francisca, a qual seduz. Em pouco tempo, leva-a para morar consigo em um singelo quarto. Mas eis que surge a desembaraçada e sensual Luzia, a quem Aniceto se entrega. Nasce assim o triângulo amoroso que desencadeará uma tragédia.
O fato é que Favio foi capaz de contar essa história com pouquíssimos recursos, numa abordagem quase minimalista, mas assim mesmo poderosa e tocante.
Às 18h30, após um breve intervalo, é a vez de “Aniceto” (2008), remake conduzido pelo próprio Favio, com cópia cedida por ele.
O interessante é poder notar as diferenças entre as duas obras. Se o clássico de 1967 é intimista, a nova versão é expansiva, pois trata-se de um verdadeiro espetáculo de dança (quem sabe a questão musical não seja influência da carreira de cantor de Favio?). Se o antigo foi feito em locação, sem se preocupar muito com a continuidade das imagens, numa perspectiva cinema-novista, o novo se deu em estúdio e sua montagem segue uma linha mais ortodoxa, procurando disfarçar os cortes. Se o primeiro é em preto-e-branco, o segundo usa e abusa das cores, valendo-se de uma direção de arte arrojada que lembra a da série “Hoje é Dia de Maria”.
Não à toa, “Aniceto” abocanhou em meados de agosto 9 Condores de Prata, prêmio concedido pela Associação Argentina de Críticos de Cinema, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia (batendo inclusive o belíssimo “Ninho Vazio”). “El Romance…”, em 1968, levou apenas dois (Melhor Filme e Melhor Ator), mas nem por isso deixa de ser uma obra primorosa.
E ao término do filme haverá um comes-e-bebes, quando tradicionalmente se fazem amizades e se trocam idéias.
Tudo isso de graça! Não percam!

Cineclube Sala Escura – Sessão Latina
Quinta-feira, 10 de setembro
Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Rio de Janeiro – RJ
Tel: (21) 2240-4899
17h – “El Romance de Aniceto y la Francisca” (Argentina, 1967)
Dirigido por Leonardo Favio
Duração: 63 min
P&B
Legendado em português.
18h30 – “Aniceto” (Argentina, 2008) – cópia cedida pelo diretor Leonardo Favio!
Dirigido por Leonardo Favio
Duração: 83 min
Cor
Versão original sem legendas.
Após, comes-e-bebes.
Entrada franca!