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Eliseo Subiela em visita à Universidade Federal Fluminense

Eliseo Subiela em visita à Universidade Federal Fluminense

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Quinta-feira, dia 3 de novembro de 2011, às 18:30, na Cinemateca do MAM - As Três Coroas do Marinheiro, de Raúl Ruiz

O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina realiza uma homenagem ao cineasta chileno
Raúl Ruiz, falecido em agosto de 2011.

AS TRÊS COROAS DO MARINHEIRO
(Les trois couronnes du matelot)
França, 1983
Direção e Argumento: Raúl Ruiz
Roteiro: Emilio Del Solar, François Ede, Raúl Ruiz
Fotografia: Sacha Vierny
Som: Jean-Claude Brisson
Música: Jorge Arriagada
Montagem: Valeria Sarmiento, Jacqueline Simoni-Adamus
Elenco: Jean-Bernard Guillard, Philippe Deplanche, Nadège Clair, Lisa Lyon, Jean Badin
117min, Cor/P&B, exibição em DVD, legendas em Castelhano

Em Varsóvia, na enevoada noite de 25 de julho de 1958, um estudante de teologia mata o seu mentor e protetor, um antiquário, versado em polimento de diamantes e dono de uma coleção de moedas antigas sem valor. Precisando fugir, o estudante conhece no meio da rua um marinheiro embriagado que afirma poder lhe ajudar em troca de três moedas antigas: três coroas dinamarquesas. O marinheiro, então, começa a narrar a sua estranha e extraordinária história, que se inicia em Valparaíso.

Reunindo várias referências e citações, do quadrinista estadunidense Milton Caniff ao poeta grego Homero, passando por Cervantes, Coleridge, Stevenson, Melville e Conrad, a base dessa história fantástica é a lenda chilota do Caleuche, o navio fantasma. O Arquipélago de Chiloé, no sul do Chile, possui uma rica mitologia, formada por histórias incríveis e povoada por seres fabulosos, marítimos e terrestres. O longa realizado por Ruiz é uma produção para a televisão francesa e adquiriu fama e sucesso. Filmado em Lisboa e na Ilha da Madeira, foi a primeira parceria entre Ruiz e o produtor português Paulo Branco, com quem fez vários outros trabalhos, inclusive a última produção, até agora finalizada, do artista chileno, o longa-metragem vencedor do Prêmio Louis Delluc de 2010, “Mistérios de Lisboa”, adaptação do romance homônimo de Camilo Castelo Branco.

Raúl Ruiz é um dos mais célebres e prolíficos cineastas chilenos, pertencente à geração do “Nuevo Cine Chileno”, surgido na virada dos anos 1960/70. É considerado, por alguns estudiosos, o cineasta chileno mais importante de todos os tempos, tendo realizado mais de 120 obras nos mais diversos formatos técnicos. Nascido em Puerto Montt, Região dos Lagos, em 25 de julho de 1941, muda-se ainda adolescente para Santiago, onde participa de grupos de teatro experimental, entre 1956 e 1962. Desde jovem, escreve vários contos, poemas, roteiros e peças de teatro e realiza estudos incompletos de Direito e Teologia. Chega a estudar cinema na célebre Escola de Santa Fé, fundada por Fernando Birri, na Argentina, mas desgostoso pelo forte viés voltado ao documentário, abandona o curso, regressando ao seu país natal. Começa a trabalhar na televisão, por volta de 1963, dirigindo o seu primeiro longa-metragem completo em 1968, intitulado Tres tristes tigres, considerado um dos principais filmes do “Nuevo Cine Chileno”. A partir de 1969, realiza filmes de forte tom político, como Militarismo y tortura, La colonia penal, El realismo socialista, La expropiación, Nadie dijo nada (atualmente considerado um dos mais importantes filmes da sua fase chilena, ao lado de Tres tristes tigres) e Palomita blanca (comercialmente lançado apenas em 1992). Nesse período, é professor de cinema na
Universidade Católica de Valparaíso. Devido ao Golpe de 1973, foge para a Argentina e de lá, para a França, país onde se fixa, se naturalizando, posteriormente. Nos anos 1980, conhece notoriedade internacional, ao ganhar vários prêmios e recebe, em 1983, uma edição especial dos Cahiers du Cinéma dedicada à sua obra. Em 1997, o governo chileno lhe outorga o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais, no mesmo ano em que o Festival de Berlim lhe oferece o Urso de Prata por Extraordinária Contribuição Artística. Em março de 2011, a Universidade de Valparaíso lhe concede o título de Doutor
Honoris Causa. Por essa ocasião, se encontra em plena luta contra a doença, uma vez que, em 2009, lhe é diagnosticado um câncer hepático. Chega a receber um transplante de fígado no ano seguinte, mas falece de infecção pulmonar em 19 de agosto de 2011, em Paris, na França. Seu corpo é trasladado ao Chile, onde é sepultado em Santiago, no dia 26 de agosto, após uma missa de corpo presente acompanhada de mais de quinhentas pessoas, entre amigos, autoridades e importantes nomes da cultura chilena. Na ocasião, foi anunciada a criação da Fundação Raúl Ruiz, que zelará pela memória e divulgação de sua vasta e variada obra artística, formada por filmes, vídeos, roteiros, peças de teatro, poemas, textos teóricos e colóquios, atualmente sob a guarda de sua viúva, a cineasta e montadora Valeria Sarmiento.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fabián Núñez