Arquivos para categoria: Sessão MAM

pequec3b1os-milagros

Cineclube Sala Escura e Cinesul 2013 apresentam:

Pequeños Milagros
Argentina, 1997

Direção e Roteiro: Eliseo Subiela
Fotografia: Rafael Rodríguez Maseda
Som: Carlos Abbate
Música: Osvaldo Montes
Montagem: Marcela Sáenz
Elenco: Julieta Ortega, Héctor Alterio, Antonio Birabent, Mónica Galán, Francisco Rabal
106min, Cor, exibição em DVD, V. O.

Dia 13 de Junho de 2013

Quinta-feira, às 18h30min
Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro
ENTRADA GRATUITA
Rosalía é uma jovem tímida e introvertida, que trabalha como caixa de supermercado. Ela está convictamente convencida de ser uma fada que ficou, por algum motivo, presa neste mundo. Por isso, crê que a sua missão é ajudar as pessoas que estão ao seu redor. Um dia, Santiago, um rapaz solitário, conhece Rosalía, através de uma câmera instalada em um ponto de ônibus. Inadvertidamente, um milagre se aproxima…
Eliseo Subiela é um premiado cineasta argentino que possui uma obra bastante singular. Diretor, roteirista e produtor, seus filmes abordam os dilemas do amor, o encantamento da beleza e a busca da autocompreensão. Sob um profundo olhar poético, com forte carga de erotismo e de doses de humor, dialoga com influências literárias, como Arlt, Benedetti e Carpentier, assim como com heranças cinematográficas, como Resnais, Godard e Favio. Nascido em Buenos Aires, em 1944, filho de um imigrante galego com uma argentina, realiza estudos incompletos na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires e na Escola de Cinema da Universidade  Nacional de La Plata. Ansioso em filmar, começa a trabalhar no cinema desde muito jovem, sendo um de seus trabalhos a assistência de direção em  Crónica de un niño solo, de Leonardo Favio. Durante os dois anos de serviço militar na Marinha, também trabalha com filmes, realizando, com o auxílio da instituição, o seu curta  Sobre todas estas estrellas, premiado no Festival de Viña del Mar de 1967. Em seguida, viaja para Havana, onde participa de um congresso cultural, permanecendo em Cuba dois meses.
A partir de 1968, inicia sua carreira na área da publicidade, quando realiza mais de duzentos anúncios. Em 1980, estreia no longa-metragem com Las puertas del paraíso, estrelado pela atriz brasileira Kátia D’Angelo e com participação de Jofre Soares. Ganha fama internacional com  Hombre mirando al sudeste (1986), que é aclamado  do Brasil ao Japão, da Austrália à Alemanha. Esse longa, ao lado dos filmes Últimas imágenes del naufrágio e El lado oscuro del corazón (partes 1 e 2), é considerada uma trilogia. A partir dos anos 1990, com o seu quarto longa, No te mueras sin decirme a dónde vas, prolonga seu estilo e, segundo alguns críticos, faz uma abordagem sobre o amor maduro e não mais sobre um amor tão mórbido. Seu último longa,  Paisajes devorados (2012), é protagonizado por Fernando Birri. Em 1994, Subiela funda a Escuela Profesional de Cine, que dirige, segundo suas palavras, com a mesma honestidade como encara o desafio de realizar os seus filmes.
O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Acompanhe o Sala Escura!
Acompanhe também o CINESUL: www.cinesul.com.br
Parceria: Cinesul_logo_g
Anúncios
Cartaz O Inimigo Principal
O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina exibe uma obra de um dos principais cineastas latino-americanos.

O INIMIGO PRINCIPAL
(Jatun auk’a / El enemigo principal)
Peru, 1974
Direção e Montagem: Jorge Sanjinés
Roteiro: Jorge Sanjinés, Oscar Zambrano
Produção: Grupo Ukamau no exílio
Fotografia: Héctor Ríos, Jorge Vignatti
Música: Camilo Cusi
Elenco: Manuel Chambi, Fausto Espinoza, Ricardo Valderrama, Jorge Chara, Efraín Fuentes
110min, P&B, Quéchua com legendas em Português, 35mm

Inspirado em fatos da luta guerrilheira no continente, o filme é destinado às comunidades camponesas andinas, com a atuação de camponeses e estudantes locais. Diante da tirania do gamonal Carrilles, uma comunidade se rebela, porém a Justiça favorece o latifundiário. Mais tarde, chega à região, um grupo de guerrilheiros. Eles pedem comida e explicam os motivos de sua luta. Após a sua partida, o Exército, com o auxílio de militares estadunidenses, reprimem a comunidade. O filme busca demonstrar os mecanismos de poder e exploração no continente, visando apontar quem é o “inimigo principal”.

Jorge Sanjinés é um dos mais importantes cineastas bolivianos e um dos principais nomes do Nuevo Cine Latinoamericano. Nascido em La Paz, em 1936, estuda filosofia na Universidad Mayor de San Andrés mas se interessa, muito cedo, por cinema. Parte para o Chile, onde estuda no Instituto Fílmico da Universidade Católica, onde realiza três curtas. Regressa ao seu país natal, por volta de 1960, quando realiza um curta e cria com o roteirista Oscar Soria uma Escola Fílmica, com cursos de fotografia e interpretação. A partir desse período, realiza filmes de encomenda e noticiários para o Instituto Cinematográfico Boliviano (ICB). Então, simultaneamente, realiza projetos pessoais e, entre eles, os curtas Revolución e ¡Aysa!, ao lado dos amigos Antonio Eguino e Ricardo Rada, assim como com Oscar Soria. Em seguida, os três, em conjunto com Sanjinés, formam o Grupo Ukamau, que adota o nome do longa homônimo do grupo, Ukamau (¡Así es!), realizado em 1966 e falado em Aimará. Antes desse projeto, Sanjinés assume a direção do ICB, pelo qual realiza o citado longa. Logo depois, por divergências ideológicas, Sanjinés se retira do ICB e passa a se dedicar inteiramente ao Grupo Ukamau e a um cinema de denúncia e de militância política. É com esse propósito que dirige o longa Yawar mallku (Sangre de cóndor), em 1969, o primeiro filme do grupo falado em Quéchua. Em seguida, filma Los caminos de la muerte, mas o filme é velado no laboratório na Alemanha, sob a suspeita de boicote. Em 1971, dirige El coraje del pueblo, sobre um massacre de mineiros. Nesse mesmo ano, com a derrubada do governo nacionalista do general Juan José Torres pelo Golpe liderado pelo então coronel Hugo Banzer, o Grupo Ukamau se divide, com alguns integrantes permanecendo no país e outros, partindo para o exílio. É o caso de Sanjinés, que se fixa no Peru. Então, sob o governo nacionalista do general Juan Velasco Alvarado, ele filma Jatun auk’a (El enemigo principal), em 1974. Com a derrocada de Velasco, em 1975, Sanjinés parte para o Equador, onde filma Llocsi caimanta (¡Fuera de aquí!). Após a queda do ditador Banzer, Sanjinés volta ao seu país natal e relata a participação popular no tortuoso processo de redemocratização da Bolívia, de 1978 a 1982, no documentário Las banderas del amanecer, codirigido com Beatriz Palacios. Depois, realiza dois filmes ficcionais sobre a exclusão dos indígenas na sociedade boliviana: La nación clandestina (1989) e Para recibir el canto de los pájaros (1995). Em 2004, dirige o seu primeiro longa em digital, Los hijos del último jardin, voltando-se para um público jovem urbano, frisando, novamente, a importância cultural, ideológica e política das excluídas camadas camponesas indígenas da sociedade boliviana. No ano passado, 2011, Sanjinés volta a filmar e dirige o longa histórico Bolívia insurgente, que teve uma pré-estreia, em abril de 2012, com a presença do presidente Evo Morales.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fabián Núñez

O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina realiza uma sessão comemorativa pelos dez anos do Argentinazo.

CASINO
Argentina, 2008
Produção: Ojo Obrero
62 min, Cor, exibição em DVD

Os trabalhadores demitidos do complexo Casino Flotante enfrentam a força econômica e política de seu patrão, o empresário Cristóbal López, cujos negócios cresceram graças aos seus estreitos laços com o presidente Néstor Kirchner.   Sofrem a repressão da polícia, da capitania dos portos, dos golpes da burocracia sindical, da Justiça e do Ministério do
Trabalho.  Essa lição particular demonstra que a luta desses trabalhadores é um exemplo para toda uma juventude trabalhadora que não conta com a experiência de organização sindical, mas que, instintivamente e pelos ataques que sofrem dia a dia, começa a se organizar de modo independente das diferentes correntes burocráticas, dos partidos tradicionais e do governo.

LA FÁBRICA ES NUESTRA
Argentina 2002
25 min, Cor, exibição em DVD

Fotografia: Trabalhadores e trabalhadoras da Brukman, Claudio Remedi, Nicolas Pousthomis, Carlos Broun
Edição: Claudio Remedi, Carlos Broun, Sandra Godoy, Gabriela Jaime
Produção: Grupo de Boedo Films e Contraimagen

Em dezembro de 2002, ocorre uma violenta ação repressiva na Fábrica Brukman com o intuito de desalojar os trabalhadores e trabalhadoras que a ocupavam, sequestrar a documentação e desativar as máquinas.  Assim que a polícia prende os operários que faziam a guarda da fábrica, as assembleias de bairro, os partidos políticos e as organizações sociais se aglutinam, frustrando o despejo.

A turbulenta década menemista (1989-1999) é uma era marcada por uma ilusória e risonha euforia, para alguns, ou um sombrio e cínico pesadelo, para outros, seguida de uma catastrófica crise econômica, social e política, para todos.  Assim, as repercussões do período Menem culminam nos protestos populares de dezembro de 2001, cognominados como “Argentinazo”, e que provocam a renúncia do presidente Fernando de la Rúa, conduzindo o país à acefalia presidencial, uma vez que o cargo é ocupado por quatro sucessores, em pouco menos de duas semanas.

Essa crise, enfrentada pela Argentina em dezembro de 2001, tornou visível para o mundo não apenas o colapso de medidas neoliberais, mas também a produção audiovisual sobre elas.  Essa produção vinha sendo realizada por sujeitos e coletivos de maneira independente, desde o momento em que tais medidas passaram a ser adotadas pelo então presidente Carlos Menem.  Em sua sessão de dezembro de 2011, o Cineclube Sala Escura pretende, através da exibição do curta-metragem La fábrica es nuestra (Grupo de Boedo Films e Contraimagen, 2002) e do longa-metragem Casino (Ojo Obrero, 2008), oferecer ao público uma pequena amostra das lutas sociais que marcaram o país na última década, e que muitas vezes se consideram filhas do Argentinazo.

O surgimento das câmeras digitais e a massiva difusão pela Internet tornaram possível aos movimentos sociais enfileirar suas trincheiras na “guerra midiática”, garantindo um espaço seguro (?) para a troca de ideias, para estabelecer discussões e para efetivar denúncias.  Assim, a produção audiovisual, que já possuía um papel relevante na ação política, tornou-se algo fundamental.  Do mesmo modo, não se pode deixar de frisar o muito que se comentou em 2011 sobre as mobilizações políticas e a sua relação com as chamadas “mídias sociais”, conforme demonstram os recentes e conturbados eventos pelo mundo afora, como a primavera árabe, o inverno chileno, os protestos na Espanha e na Grécia, a revolta nos subúrbios londrinos, o acampamento em Wall Street, o movimento dos indignados, etc., que prolongam, de outro modo, os protestos antiglobalização dos anos 1990.  Em suma, passados dez anos, nunca os ecos do Argentinazo se fizeram tão presentes!

Filipeta virtual da sessão de outubro de 2011 do Cineclube Sala Escura: El Mago, com Cantinflas

Sessão gratuita do filme El Mago na Cinemateca do MAM, seguido de Tragos y Sonidos. Quinta feira 27 de outubro às 18:30

EL MAGO
México, 1948
Direção: Miguel M. Delgado
Argumento: Alex Joffé, Jean Lévitte
Roteiro: Jaime Salvador, Miguel M. Delgado
Fotografia: Raúl Martínez Solares
Som: James L. Fields
Montagem: Jorge Bustos
Elenco: Cantinflas, Leonora Amar, José Baviera, Miguel Manzano, Alejandro Cobo
97min, P&B, exibição em DVD, Legendas em Português.

Em um distante país do Oriente, o rei, em seu leito de morte, incumbe aos seus ministros buscarem o príncipe herdeiro que, por segurança, cresceu na América sem saber a sua origem. Esse príncipe vive no México, onde atua como vidente, mas, por razões pessoais, deve se afastar de seu trabalho. Porém, antes, contrata um dublê para substituí-lo, que, por sua vez, paga a Cantinflas para tomar o seu lugar por um tempo. No entanto, o que Cantinflas não conseguiria prever são os apuros em que vai se meter ao se fazer passar pelo príncipe do Oriente, uma vez que muitos e poderosos inimigos tentarão sequestrar e matar o herdeiro ao trono.

Nesse longa, o mestre Cantinflas divide a tela com a brasileira Leonora Amar, cuja única atuação em nosso país, ao lado de Anselmo Duarte, é no longa policial Veneno (1952), produção da Vera Cruz e sob a direção de Gianni Pons e de Afonso Schmidt. No entanto, o nome de Leonora Amar era mais conhecido no México, onde começara sua carreira artística como cantora, após ter tido sucesso nas rádios cariocas. Em 1948, após ter protagonizado o longa Desquite, alcança o estrelato, por intermédio do produtor e diretor Raúl de Anda, com Bajo el cielo de Sonora. Nessa ocasião, conhece Miguel Alemán, Presidente do México, com quem teria mantido um célebre relacionamento. Foi uma das mulheres mais ricas do México, chegando a se fixar, posteriormente, em Los Angeles (EUA), onde produziu filmes, tendo atuado em um deles, Captain Scarllet (1953).

Cantinflas chega às telas do cinema mexicano em 1936 no longa-metragem No te engañes corazón, dirigido por Miguel Contreras Torres, depois de um curta, “Cantinflas” Boxeador, dirigido por Fernando A. Rivero, nesse mesmo ano. Sua marca registrada era a maneira absolutamente desregrada ao falar que, aliada ao seu gestual característico, ao seu bigodinho ralo e falho e ao seu figurino – calças caídas amarradas por uma corda na cintura e um trapo nos ombros – fazia um enorme sucesso junto a um determinado público.  Mario Moreno criou esse personagem para o teatro de variedades e para espetáculos circenses.  Seu público era o da periferia da Cidade do México. Esses espetáculos, conhecidos como “teatro de carpa”, foram muito populares nas primeiras décadas do século XX, nos arrabaldes da cidade, e apresentavam uma encenação com base na improvisação e no contato direto com o público que, muitas vezes, ao desaprovar determinado número, atirava objetos nos artistas. Essa foi a escola de Cantinflas durante muitos anos, onde ele aprendeu a se comunicar com a plateia, de forma direta e imediata. Cantinflas é um personagem burlesco e irreverente que, através de um falar grosseiro e popularesco, dribla, com malícia e engenhosidade, as adversidades de um cotidiano difícil na periferia de uma grande cidade latino-americana. Ele é, seguramente, um produto do cinema falado. Seu maior recurso se concentra numa verborragia frenética baseada num jogo de palavras que roçam o nonsense.  A “cantinflada”, termo que define esse palavrório acelerado do personagem, constitui-se num fenômeno frequente nos filmes de Cantinflas. Aquilo que, numa primeira mirada, mostra-se sem sentido e vazio, pode conter um significado bastante contundente se analisado a partir das condições em que essa fala foi elaborada. É importante pensarmos que Cantinflas criou sua verborragia numa época em que discursos demagógicos travestiam os espetáculos populares, tentando dar conta da ressignificação de um novo projeto de identidade nacional no México. Nesse contexto de oratória desenfreada, onde políticos e intelectuais promoviam um debate sem fim, o texto aparentemente desconexo de Cantinflas denunciava o vazio dos discursos oficiais. A resposta cantinflesca representava a fala daqueles que não se sentiam, de fato, inseridos naquele contexto de nação. A “cantinflada” açoitava a linguagem culta, trazendo a público um falar das ruas maculado de incertezas gramaticais. Cantinflas ia do nada pra lugar nenhum, rindo de si mesmo, confundindo seu interlocutor num jogo nauseante de palavras que percorriam tresloucadas um labirinto de oralidade. Essa foi sua marca em mais de cinquenta filmes durante quase meio século de permanência nas telas de cinema. Cantinflas conquistou não só o México mas toda a América Latina e chegou ao cinema dos Estados Unidos em 1956 no filme A volta ao mundo em 80 dias, dirigido por Michael Anderson, Kevin McClory e Sidney Smith.  Porém, seu público era, definitivamente, o latino-americano, que reconhecia nessa espécie de malandro mexicano as marcas do subdesenvolvimento, da transgressão bem-humorada e dos rituais de sobrevivência necessários para driblar as dificuldades do dia a dia numa grande cidade deste subcontinente. Mario Moreno, o intérprete de Cantinflas, completaria 100 anos em 2011. Essa é uma grande oportunidade para revermos seus filmes e relembrarmos Cantinflas como um grande personagem da comédia cinematográfica latino-americana.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre
o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação
Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Maurício de Bragança
Fabián Núñez

Após a sessão o especial Tragos y Sonidos!!!

Próxima sessão: Dia 03 de Novembro

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0100075/

7 anos do Cineclube Sala Escura. Após a sessão haverá o lançamento do livro 21 Años de Cine Latinoamericano en Nueva York, de Pedro Zurita, e um especial Tragos Y Sonidos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0977645/

salaescura_setembro09_mam_a4Nesta quinta-feira (10), o Cineclube Sala Escura realizará uma sessão especial na Cinemateca do MAM-RJ.
Às 17h, será exibido o longa “El Romance del Aniceto y la Francisca” (1967), considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes do cineasta argentino Leonardo Favio.
Trata-se de uma história simples: Aniceto, dono de um galo de rinha vencedor, conhece a humilde Francisca, a qual seduz. Em pouco tempo, leva-a para morar consigo em um singelo quarto. Mas eis que surge a desembaraçada e sensual Luzia, a quem Aniceto se entrega. Nasce assim o triângulo amoroso que desencadeará uma tragédia.
O fato é que Favio foi capaz de contar essa história com pouquíssimos recursos, numa abordagem quase minimalista, mas assim mesmo poderosa e tocante.
Às 18h30, após um breve intervalo, é a vez de “Aniceto” (2008), remake conduzido pelo próprio Favio, com cópia cedida por ele.
O interessante é poder notar as diferenças entre as duas obras. Se o clássico de 1967 é intimista, a nova versão é expansiva, pois trata-se de um verdadeiro espetáculo de dança (quem sabe a questão musical não seja influência da carreira de cantor de Favio?). Se o antigo foi feito em locação, sem se preocupar muito com a continuidade das imagens, numa perspectiva cinema-novista, o novo se deu em estúdio e sua montagem segue uma linha mais ortodoxa, procurando disfarçar os cortes. Se o primeiro é em preto-e-branco, o segundo usa e abusa das cores, valendo-se de uma direção de arte arrojada que lembra a da série “Hoje é Dia de Maria”.
Não à toa, “Aniceto” abocanhou em meados de agosto 9 Condores de Prata, prêmio concedido pela Associação Argentina de Críticos de Cinema, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia (batendo inclusive o belíssimo “Ninho Vazio”). “El Romance…”, em 1968, levou apenas dois (Melhor Filme e Melhor Ator), mas nem por isso deixa de ser uma obra primorosa.
E ao término do filme haverá um comes-e-bebes, quando tradicionalmente se fazem amizades e se trocam idéias.
Tudo isso de graça! Não percam!

Cineclube Sala Escura – Sessão Latina
Quinta-feira, 10 de setembro
Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Rio de Janeiro – RJ
Tel: (21) 2240-4899
17h – “El Romance de Aniceto y la Francisca” (Argentina, 1967)
Dirigido por Leonardo Favio
Duração: 63 min
P&B
Legendado em português.
18h30 – “Aniceto” (Argentina, 2008) – cópia cedida pelo diretor Leonardo Favio!
Dirigido por Leonardo Favio
Duração: 83 min
Cor
Versão original sem legendas.
Após, comes-e-bebes.
Entrada franca!