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Guantanamera

Cineclube Sala Escura apresenta:

 

CICLO ROAD MOVIES LATINO AMERICANOS

 

Guantanamera

 

dir: Tomás Gutiérres e Juan Carlos Tabío

 

(Cuba/Esp/Ale – 1995)

 

Terça-feira (11/06), às 18h30 – Auditório da faculdade de Direito da UFF

 

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sala escura - direito - maio

Os chamados filmes de tribunal fazem sucesso há anos. De tempos em tempos o público é brindado com produções que trazem as cortes de justiça e todos os seus rituais. Talvez possamos chamá-los de gênero, mesmo que não sejam muitos os filmes deste tipo e sabendo que sempre estão ancorados em algum outro gênero, na maioria das vezes o drama ou o policial. Mas o fato é que esses filmes não costumam ficar datados, quero dizer, não marcam somente uma época: funcionam e influenciam diferentes gerações.
O filme em questão se apóia no que há de melhor em termos de suspense policial: um texto de Agatha Christie. A adaptação é ótima! Billy Wilder (também diretor dos clássicos Crepúsculo dos deuses e Quanto mais quente melhor) que também participou da escrita do roteiro, consegue transportar para as telas todo o clima de suspense da peça da escritora inglesa.
Característica da obra de Agatha é construir personagens marcantes, peculiares e assim é Sir. Wilfrid Roberts, o advogado brilhantemente interpretado por Charles Laughton (indicado ao Oscar, ao Bafta e ao Globo de Ouro pelo papel). Sir. Wilfrid proporciona aos espectadores momentos memoráveis desde o início da trama, com a sua chegada do hospital onde passou meses internado, até a seqüência final onde é a presença dele que contribui efetivamente para que o caso seja solucionado. Merece destaque a seqüência em que analisa seus clientes através de uma lente, para conferir se falam a verdade, além de todo o comportamento dentro do tribunal.
Marlene Dietrich, a grande estrela da produção está  impecável na pele de Christine Vole, a esposa que testemunhará pela acusação num processo em que o próprio marido é o acusado de assassinato. Ela toma conta da cena quando aparece. Excepcional também é a atuação de Elsa Lanchester, como a enfermeira que acompanha o advogado doente em toda sua aventura.
Testemunha de Acusação é um filme essencialmente de roteiro. O que mais fascina a quem o assiste são as surpresas. A trama, aos poucos, descortina ao espectador as faces emocionantes de uma história muito bem escrita. O final é de fato surpreendente, são poucos os cinéfilos que conseguiriam “saber antes do final”.
Mas não se deixe enganar, pois além do texto o diretor constrói planos muito interessantes (mesmo que pouco originais), sugerimos atenção para a participação de um pequeno elevador, dentro da casa do advogado, assim como os planos detalhe dentro do tribunal. Ainda vale a pena um olhar cuidadoso sobre o próprio tribunal inglês, reconstruído em estúdio com grande fidelidade.
Desejamos a todos uma excelente primeira sessão do Cineclube Sala Escura na Faculdade de Direito da UFF! Aproveitem o filme! Se surpreendam com o final!

(escrito por Thiago Franco)