Cartaz O Inimigo Principal
O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina exibe uma obra de um dos principais cineastas latino-americanos.

O INIMIGO PRINCIPAL
(Jatun auk’a / El enemigo principal)
Peru, 1974
Direção e Montagem: Jorge Sanjinés
Roteiro: Jorge Sanjinés, Oscar Zambrano
Produção: Grupo Ukamau no exílio
Fotografia: Héctor Ríos, Jorge Vignatti
Música: Camilo Cusi
Elenco: Manuel Chambi, Fausto Espinoza, Ricardo Valderrama, Jorge Chara, Efraín Fuentes
110min, P&B, Quéchua com legendas em Português, 35mm

Inspirado em fatos da luta guerrilheira no continente, o filme é destinado às comunidades camponesas andinas, com a atuação de camponeses e estudantes locais. Diante da tirania do gamonal Carrilles, uma comunidade se rebela, porém a Justiça favorece o latifundiário. Mais tarde, chega à região, um grupo de guerrilheiros. Eles pedem comida e explicam os motivos de sua luta. Após a sua partida, o Exército, com o auxílio de militares estadunidenses, reprimem a comunidade. O filme busca demonstrar os mecanismos de poder e exploração no continente, visando apontar quem é o “inimigo principal”.

Jorge Sanjinés é um dos mais importantes cineastas bolivianos e um dos principais nomes do Nuevo Cine Latinoamericano. Nascido em La Paz, em 1936, estuda filosofia na Universidad Mayor de San Andrés mas se interessa, muito cedo, por cinema. Parte para o Chile, onde estuda no Instituto Fílmico da Universidade Católica, onde realiza três curtas. Regressa ao seu país natal, por volta de 1960, quando realiza um curta e cria com o roteirista Oscar Soria uma Escola Fílmica, com cursos de fotografia e interpretação. A partir desse período, realiza filmes de encomenda e noticiários para o Instituto Cinematográfico Boliviano (ICB). Então, simultaneamente, realiza projetos pessoais e, entre eles, os curtas Revolución e ¡Aysa!, ao lado dos amigos Antonio Eguino e Ricardo Rada, assim como com Oscar Soria. Em seguida, os três, em conjunto com Sanjinés, formam o Grupo Ukamau, que adota o nome do longa homônimo do grupo, Ukamau (¡Así es!), realizado em 1966 e falado em Aimará. Antes desse projeto, Sanjinés assume a direção do ICB, pelo qual realiza o citado longa. Logo depois, por divergências ideológicas, Sanjinés se retira do ICB e passa a se dedicar inteiramente ao Grupo Ukamau e a um cinema de denúncia e de militância política. É com esse propósito que dirige o longa Yawar mallku (Sangre de cóndor), em 1969, o primeiro filme do grupo falado em Quéchua. Em seguida, filma Los caminos de la muerte, mas o filme é velado no laboratório na Alemanha, sob a suspeita de boicote. Em 1971, dirige El coraje del pueblo, sobre um massacre de mineiros. Nesse mesmo ano, com a derrubada do governo nacionalista do general Juan José Torres pelo Golpe liderado pelo então coronel Hugo Banzer, o Grupo Ukamau se divide, com alguns integrantes permanecendo no país e outros, partindo para o exílio. É o caso de Sanjinés, que se fixa no Peru. Então, sob o governo nacionalista do general Juan Velasco Alvarado, ele filma Jatun auk’a (El enemigo principal), em 1974. Com a derrocada de Velasco, em 1975, Sanjinés parte para o Equador, onde filma Llocsi caimanta (¡Fuera de aquí!). Após a queda do ditador Banzer, Sanjinés volta ao seu país natal e relata a participação popular no tortuoso processo de redemocratização da Bolívia, de 1978 a 1982, no documentário Las banderas del amanecer, codirigido com Beatriz Palacios. Depois, realiza dois filmes ficcionais sobre a exclusão dos indígenas na sociedade boliviana: La nación clandestina (1989) e Para recibir el canto de los pájaros (1995). Em 2004, dirige o seu primeiro longa em digital, Los hijos del último jardin, voltando-se para um público jovem urbano, frisando, novamente, a importância cultural, ideológica e política das excluídas camadas camponesas indígenas da sociedade boliviana. No ano passado, 2011, Sanjinés volta a filmar e dirige o longa histórico Bolívia insurgente, que teve uma pré-estreia, em abril de 2012, com a presença do presidente Evo Morales.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fabián Núñez

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