O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina realiza uma sessão comemorativa pelos dez anos do Argentinazo.

CASINO
Argentina, 2008
Produção: Ojo Obrero
62 min, Cor, exibição em DVD

Os trabalhadores demitidos do complexo Casino Flotante enfrentam a força econômica e política de seu patrão, o empresário Cristóbal López, cujos negócios cresceram graças aos seus estreitos laços com o presidente Néstor Kirchner.   Sofrem a repressão da polícia, da capitania dos portos, dos golpes da burocracia sindical, da Justiça e do Ministério do
Trabalho.  Essa lição particular demonstra que a luta desses trabalhadores é um exemplo para toda uma juventude trabalhadora que não conta com a experiência de organização sindical, mas que, instintivamente e pelos ataques que sofrem dia a dia, começa a se organizar de modo independente das diferentes correntes burocráticas, dos partidos tradicionais e do governo.

LA FÁBRICA ES NUESTRA
Argentina 2002
25 min, Cor, exibição em DVD

Fotografia: Trabalhadores e trabalhadoras da Brukman, Claudio Remedi, Nicolas Pousthomis, Carlos Broun
Edição: Claudio Remedi, Carlos Broun, Sandra Godoy, Gabriela Jaime
Produção: Grupo de Boedo Films e Contraimagen

Em dezembro de 2002, ocorre uma violenta ação repressiva na Fábrica Brukman com o intuito de desalojar os trabalhadores e trabalhadoras que a ocupavam, sequestrar a documentação e desativar as máquinas.  Assim que a polícia prende os operários que faziam a guarda da fábrica, as assembleias de bairro, os partidos políticos e as organizações sociais se aglutinam, frustrando o despejo.

A turbulenta década menemista (1989-1999) é uma era marcada por uma ilusória e risonha euforia, para alguns, ou um sombrio e cínico pesadelo, para outros, seguida de uma catastrófica crise econômica, social e política, para todos.  Assim, as repercussões do período Menem culminam nos protestos populares de dezembro de 2001, cognominados como “Argentinazo”, e que provocam a renúncia do presidente Fernando de la Rúa, conduzindo o país à acefalia presidencial, uma vez que o cargo é ocupado por quatro sucessores, em pouco menos de duas semanas.

Essa crise, enfrentada pela Argentina em dezembro de 2001, tornou visível para o mundo não apenas o colapso de medidas neoliberais, mas também a produção audiovisual sobre elas.  Essa produção vinha sendo realizada por sujeitos e coletivos de maneira independente, desde o momento em que tais medidas passaram a ser adotadas pelo então presidente Carlos Menem.  Em sua sessão de dezembro de 2011, o Cineclube Sala Escura pretende, através da exibição do curta-metragem La fábrica es nuestra (Grupo de Boedo Films e Contraimagen, 2002) e do longa-metragem Casino (Ojo Obrero, 2008), oferecer ao público uma pequena amostra das lutas sociais que marcaram o país na última década, e que muitas vezes se consideram filhas do Argentinazo.

O surgimento das câmeras digitais e a massiva difusão pela Internet tornaram possível aos movimentos sociais enfileirar suas trincheiras na “guerra midiática”, garantindo um espaço seguro (?) para a troca de ideias, para estabelecer discussões e para efetivar denúncias.  Assim, a produção audiovisual, que já possuía um papel relevante na ação política, tornou-se algo fundamental.  Do mesmo modo, não se pode deixar de frisar o muito que se comentou em 2011 sobre as mobilizações políticas e a sua relação com as chamadas “mídias sociais”, conforme demonstram os recentes e conturbados eventos pelo mundo afora, como a primavera árabe, o inverno chileno, os protestos na Espanha e na Grécia, a revolta nos subúrbios londrinos, o acampamento em Wall Street, o movimento dos indignados, etc., que prolongam, de outro modo, os protestos antiglobalização dos anos 1990.  Em suma, passados dez anos, nunca os ecos do Argentinazo se fizeram tão presentes!

Anúncios