Eliseo Subiela em visita à Universidade Federal Fluminense

Eliseo Subiela em visita à Universidade Federal Fluminense

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Guantanamera

Cineclube Sala Escura apresenta:

 

CICLO ROAD MOVIES LATINO AMERICANOS

 

Guantanamera

 

dir: Tomás Gutiérres e Juan Carlos Tabío

 

(Cuba/Esp/Ale – 1995)

 

Terça-feira (11/06), às 18h30 – Auditório da faculdade de Direito da UFF

 

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Cineclube Sala Escura e Cinesul 2013 apresentam:

Pequeños Milagros
Argentina, 1997

Direção e Roteiro: Eliseo Subiela
Fotografia: Rafael Rodríguez Maseda
Som: Carlos Abbate
Música: Osvaldo Montes
Montagem: Marcela Sáenz
Elenco: Julieta Ortega, Héctor Alterio, Antonio Birabent, Mónica Galán, Francisco Rabal
106min, Cor, exibição em DVD, V. O.

Dia 13 de Junho de 2013

Quinta-feira, às 18h30min
Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro
ENTRADA GRATUITA
Rosalía é uma jovem tímida e introvertida, que trabalha como caixa de supermercado. Ela está convictamente convencida de ser uma fada que ficou, por algum motivo, presa neste mundo. Por isso, crê que a sua missão é ajudar as pessoas que estão ao seu redor. Um dia, Santiago, um rapaz solitário, conhece Rosalía, através de uma câmera instalada em um ponto de ônibus. Inadvertidamente, um milagre se aproxima…
Eliseo Subiela é um premiado cineasta argentino que possui uma obra bastante singular. Diretor, roteirista e produtor, seus filmes abordam os dilemas do amor, o encantamento da beleza e a busca da autocompreensão. Sob um profundo olhar poético, com forte carga de erotismo e de doses de humor, dialoga com influências literárias, como Arlt, Benedetti e Carpentier, assim como com heranças cinematográficas, como Resnais, Godard e Favio. Nascido em Buenos Aires, em 1944, filho de um imigrante galego com uma argentina, realiza estudos incompletos na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires e na Escola de Cinema da Universidade  Nacional de La Plata. Ansioso em filmar, começa a trabalhar no cinema desde muito jovem, sendo um de seus trabalhos a assistência de direção em  Crónica de un niño solo, de Leonardo Favio. Durante os dois anos de serviço militar na Marinha, também trabalha com filmes, realizando, com o auxílio da instituição, o seu curta  Sobre todas estas estrellas, premiado no Festival de Viña del Mar de 1967. Em seguida, viaja para Havana, onde participa de um congresso cultural, permanecendo em Cuba dois meses.
A partir de 1968, inicia sua carreira na área da publicidade, quando realiza mais de duzentos anúncios. Em 1980, estreia no longa-metragem com Las puertas del paraíso, estrelado pela atriz brasileira Kátia D’Angelo e com participação de Jofre Soares. Ganha fama internacional com  Hombre mirando al sudeste (1986), que é aclamado  do Brasil ao Japão, da Austrália à Alemanha. Esse longa, ao lado dos filmes Últimas imágenes del naufrágio e El lado oscuro del corazón (partes 1 e 2), é considerada uma trilogia. A partir dos anos 1990, com o seu quarto longa, No te mueras sin decirme a dónde vas, prolonga seu estilo e, segundo alguns críticos, faz uma abordagem sobre o amor maduro e não mais sobre um amor tão mórbido. Seu último longa,  Paisajes devorados (2012), é protagonizado por Fernando Birri. Em 1994, Subiela funda a Escuela Profesional de Cine, que dirige, segundo suas palavras, com a mesma honestidade como encara o desafio de realizar os seus filmes.
O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
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Cartaz O Inimigo Principal
O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina exibe uma obra de um dos principais cineastas latino-americanos.

O INIMIGO PRINCIPAL
(Jatun auk’a / El enemigo principal)
Peru, 1974
Direção e Montagem: Jorge Sanjinés
Roteiro: Jorge Sanjinés, Oscar Zambrano
Produção: Grupo Ukamau no exílio
Fotografia: Héctor Ríos, Jorge Vignatti
Música: Camilo Cusi
Elenco: Manuel Chambi, Fausto Espinoza, Ricardo Valderrama, Jorge Chara, Efraín Fuentes
110min, P&B, Quéchua com legendas em Português, 35mm

Inspirado em fatos da luta guerrilheira no continente, o filme é destinado às comunidades camponesas andinas, com a atuação de camponeses e estudantes locais. Diante da tirania do gamonal Carrilles, uma comunidade se rebela, porém a Justiça favorece o latifundiário. Mais tarde, chega à região, um grupo de guerrilheiros. Eles pedem comida e explicam os motivos de sua luta. Após a sua partida, o Exército, com o auxílio de militares estadunidenses, reprimem a comunidade. O filme busca demonstrar os mecanismos de poder e exploração no continente, visando apontar quem é o “inimigo principal”.

Jorge Sanjinés é um dos mais importantes cineastas bolivianos e um dos principais nomes do Nuevo Cine Latinoamericano. Nascido em La Paz, em 1936, estuda filosofia na Universidad Mayor de San Andrés mas se interessa, muito cedo, por cinema. Parte para o Chile, onde estuda no Instituto Fílmico da Universidade Católica, onde realiza três curtas. Regressa ao seu país natal, por volta de 1960, quando realiza um curta e cria com o roteirista Oscar Soria uma Escola Fílmica, com cursos de fotografia e interpretação. A partir desse período, realiza filmes de encomenda e noticiários para o Instituto Cinematográfico Boliviano (ICB). Então, simultaneamente, realiza projetos pessoais e, entre eles, os curtas Revolución e ¡Aysa!, ao lado dos amigos Antonio Eguino e Ricardo Rada, assim como com Oscar Soria. Em seguida, os três, em conjunto com Sanjinés, formam o Grupo Ukamau, que adota o nome do longa homônimo do grupo, Ukamau (¡Así es!), realizado em 1966 e falado em Aimará. Antes desse projeto, Sanjinés assume a direção do ICB, pelo qual realiza o citado longa. Logo depois, por divergências ideológicas, Sanjinés se retira do ICB e passa a se dedicar inteiramente ao Grupo Ukamau e a um cinema de denúncia e de militância política. É com esse propósito que dirige o longa Yawar mallku (Sangre de cóndor), em 1969, o primeiro filme do grupo falado em Quéchua. Em seguida, filma Los caminos de la muerte, mas o filme é velado no laboratório na Alemanha, sob a suspeita de boicote. Em 1971, dirige El coraje del pueblo, sobre um massacre de mineiros. Nesse mesmo ano, com a derrubada do governo nacionalista do general Juan José Torres pelo Golpe liderado pelo então coronel Hugo Banzer, o Grupo Ukamau se divide, com alguns integrantes permanecendo no país e outros, partindo para o exílio. É o caso de Sanjinés, que se fixa no Peru. Então, sob o governo nacionalista do general Juan Velasco Alvarado, ele filma Jatun auk’a (El enemigo principal), em 1974. Com a derrocada de Velasco, em 1975, Sanjinés parte para o Equador, onde filma Llocsi caimanta (¡Fuera de aquí!). Após a queda do ditador Banzer, Sanjinés volta ao seu país natal e relata a participação popular no tortuoso processo de redemocratização da Bolívia, de 1978 a 1982, no documentário Las banderas del amanecer, codirigido com Beatriz Palacios. Depois, realiza dois filmes ficcionais sobre a exclusão dos indígenas na sociedade boliviana: La nación clandestina (1989) e Para recibir el canto de los pájaros (1995). Em 2004, dirige o seu primeiro longa em digital, Los hijos del último jardin, voltando-se para um público jovem urbano, frisando, novamente, a importância cultural, ideológica e política das excluídas camadas camponesas indígenas da sociedade boliviana. No ano passado, 2011, Sanjinés volta a filmar e dirige o longa histórico Bolívia insurgente, que teve uma pré-estreia, em abril de 2012, com a presença do presidente Evo Morales.

O Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fabián Núñez

Cineclube Sala Escura – Sessão Acalourada realiza sua primeira sessão em Niterói este ano.  Quinta-feira, dia 15 de março, às 18:30, na sala de projeção do IACS.  Rua Professor Lara Vilela, 126 – Niterói, RJ.


Estrada Para Ythaca
Ficção, HD, 70min, CE/Brasil, 2010
Direção, produção, roteiro, fotografia, som, montagem: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti
Elenco: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti, Rodrigo Capistrano, Uirá gos Reis, Ythallo Rodrigues


Depois da morte de um amigo e de muitas garrafas de cerveja tomadas na mesa de um bar, quatro jovens pegam o carro de um desconhecido e partem para uma cidade desconhecida.  Esse é o mote do cearense Estrada para Ythaca,uma produção colaborativa e de baixo orçamento.  Com referências que vão de Ítaca, do grego Konstantinos Kaváfis, à Odisseia, de Homero, passando pelo cinema de Glauber Rocha, Estrada para Ythaca traz em seu elenco os próprios diretores: os irmão Luiz e Ricardo Pretti e os primos Pedro Diógenes e Guto Parente.  A produção consagrada na 13ª edição da Mostra de Tiradentes se desenrola na estrada.  Ao longo do percurso, os quatro quase não conversam. Bebem e tenham encontrar um caminho.  O mesmo acontece com seu cinema.


Prêmios:
• Melhor Filme – Júri da Crítica e Júri Jovem | 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes
• Melhor Trilha Original | 20º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema
• Prêmio Filme Livre | 10ª Mostra do Filme Livre

O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina realiza uma sessão comemorativa pelos dez anos do Argentinazo.

CASINO
Argentina, 2008
Produção: Ojo Obrero
62 min, Cor, exibição em DVD

Os trabalhadores demitidos do complexo Casino Flotante enfrentam a força econômica e política de seu patrão, o empresário Cristóbal López, cujos negócios cresceram graças aos seus estreitos laços com o presidente Néstor Kirchner.   Sofrem a repressão da polícia, da capitania dos portos, dos golpes da burocracia sindical, da Justiça e do Ministério do
Trabalho.  Essa lição particular demonstra que a luta desses trabalhadores é um exemplo para toda uma juventude trabalhadora que não conta com a experiência de organização sindical, mas que, instintivamente e pelos ataques que sofrem dia a dia, começa a se organizar de modo independente das diferentes correntes burocráticas, dos partidos tradicionais e do governo.

LA FÁBRICA ES NUESTRA
Argentina 2002
25 min, Cor, exibição em DVD

Fotografia: Trabalhadores e trabalhadoras da Brukman, Claudio Remedi, Nicolas Pousthomis, Carlos Broun
Edição: Claudio Remedi, Carlos Broun, Sandra Godoy, Gabriela Jaime
Produção: Grupo de Boedo Films e Contraimagen

Em dezembro de 2002, ocorre uma violenta ação repressiva na Fábrica Brukman com o intuito de desalojar os trabalhadores e trabalhadoras que a ocupavam, sequestrar a documentação e desativar as máquinas.  Assim que a polícia prende os operários que faziam a guarda da fábrica, as assembleias de bairro, os partidos políticos e as organizações sociais se aglutinam, frustrando o despejo.

A turbulenta década menemista (1989-1999) é uma era marcada por uma ilusória e risonha euforia, para alguns, ou um sombrio e cínico pesadelo, para outros, seguida de uma catastrófica crise econômica, social e política, para todos.  Assim, as repercussões do período Menem culminam nos protestos populares de dezembro de 2001, cognominados como “Argentinazo”, e que provocam a renúncia do presidente Fernando de la Rúa, conduzindo o país à acefalia presidencial, uma vez que o cargo é ocupado por quatro sucessores, em pouco menos de duas semanas.

Essa crise, enfrentada pela Argentina em dezembro de 2001, tornou visível para o mundo não apenas o colapso de medidas neoliberais, mas também a produção audiovisual sobre elas.  Essa produção vinha sendo realizada por sujeitos e coletivos de maneira independente, desde o momento em que tais medidas passaram a ser adotadas pelo então presidente Carlos Menem.  Em sua sessão de dezembro de 2011, o Cineclube Sala Escura pretende, através da exibição do curta-metragem La fábrica es nuestra (Grupo de Boedo Films e Contraimagen, 2002) e do longa-metragem Casino (Ojo Obrero, 2008), oferecer ao público uma pequena amostra das lutas sociais que marcaram o país na última década, e que muitas vezes se consideram filhas do Argentinazo.

O surgimento das câmeras digitais e a massiva difusão pela Internet tornaram possível aos movimentos sociais enfileirar suas trincheiras na “guerra midiática”, garantindo um espaço seguro (?) para a troca de ideias, para estabelecer discussões e para efetivar denúncias.  Assim, a produção audiovisual, que já possuía um papel relevante na ação política, tornou-se algo fundamental.  Do mesmo modo, não se pode deixar de frisar o muito que se comentou em 2011 sobre as mobilizações políticas e a sua relação com as chamadas “mídias sociais”, conforme demonstram os recentes e conturbados eventos pelo mundo afora, como a primavera árabe, o inverno chileno, os protestos na Espanha e na Grécia, a revolta nos subúrbios londrinos, o acampamento em Wall Street, o movimento dos indignados, etc., que prolongam, de outro modo, os protestos antiglobalização dos anos 1990.  Em suma, passados dez anos, nunca os ecos do Argentinazo se fizeram tão presentes!